Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 14/07/2026
Marco Abundância 14/07/2026
A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.
“Ai, Jesus!”
“Ai, Jesus!”, onde eu estou metido, é uma das expressões que melhor traduz o estado de espírito de Luís Montenegro, de desespero face às crescentes dificuldades do seu governo, que navega de sobressalto em sobressalto político, em resultado das crises, cada vez mais frequentes, que o vão afetando e cuja perceção já preocupa apoiantes.
Já não bastavam as dificuldades em aprovar leis, incluindo a do Orçamento de Estado, bem como manter equilibradas as contas públicas, em resultado das suas políticas impactadas pela guerra e por cataclismos naturais, para ser confrontado com problemas criados pelo seu governo e casos envolvendo diversos ministros.
Na Saúde, não conseguiu satisfazer as expectativas que gerou com as promessas eleitorais, e as medidas que o Ministério tem vindo a tomar têm, em muitos casos, agravado ainda mais os problemas, como provam estudos como o que agora veio a público de que a reforma dos hospitais falhou todas as suas metas…
Na Habitação, a situação é semelhante, agravando-se a dificuldade das famílias de aceder a habitação própria ou arrendada, apesar das promessas e medidas anunciadas.
Na Justiça sucedem-se falhas cirúrgicas do segredo de justiça, processos mediáticos – alguns até com transmissões televisivas em direto e oportunidade mais do que duvidosa -, sem fim à vista, prisões preventivas para investigar, e continua a falta de pessoal, instalações e equipamentos inadequados, que, só por si, não justificam tudo.
O PRR – Plano de Recuperação e Resiliência tem sido utilizado para a luta política, com o atual governo a acusar o anterior de falhas, mas garantindo que fazia as alterações necessárias a garantir o seu cumprimento integral, o que parece que não vai acontecer, correndo o risco de perda de muito dinheiro e de o dinheiro investido não ter contribuído para o principal objetivo do Plano.
O equilíbrio das contas públicas parece estar em risco, e o crescimento da dívida e o défice orçamental de regresso, o que, para além de cataclismos naturais e de impactos da guerra, também se deve, em grande parte, a políticas erradas do govermo.
Para além destes falhanços da política e das políticas do governo em diversas áreas, vão-se acumulando os casos e casinhos envolvendo vários membros do governo, quer na sua atuação política quer nas suas vidas privadas com impacto público.
A ministra do Trabalho e Solidariedade Social quis aprovar uma reforma do Código do Trabalho, com todas as alterações a visar penalizar os direitos dos trabalhadores, não contribuindo para aumentar a competitividade e criando ainda mais problemas à evolução da natalidade, que é um dos principais problemas com que se confronta a a nossa sociedade. Este processo, que terminou com uma derrota para o governo, depois do líder parlamentar do PSD ter cantado vitória, devia ter servido para um banho de humildade de que tanto carece o governo e a maioria mínima que o apoia.
Na Educação, depois de uma apressada reforma que extinguiu alguns serviços, avançou com um processo de avaliação digital dos exames, cuja experiência no ano passado revelou falhas, o que está a gerar o caos, com a divulgação de inúmeras falhas que comprometem o processo, o próximo calendário escolar e, principalmente, o acesso de alunos ao Ensino Superior. E, como tudo isto já não bastasse, os professores foram obrigados a trabalhar no fim de semana e o porta-voz do PSD veio a público, em nome do governo, anunciar o pagamento de horas extraordinárias pelo reconhecimento do trabalho feito, como se de uma benesse se tratasse e não de um direito dos trabalhadores. E o ministro, no meio desta imensa trapalhada, tentou sacudir a água do capote, responsabilizando tudo e todos do falhanço do processo e ainda não esclareceu as dúvidas em torno da empresa que acessurou o processo.
No meio disto tudo, vão-se sucedendo as suspeitas relacionadas com a vida empresarial e pessoal de alguns ministros, designadamente o da Economia e o da Administração Interna.
Face a tudo isto e ao seu próprio comportamento, não é de admirar que o primeiro-ministro viva num crescente “Ai, Jesus!”. Luís Montenegro que continua sem esclarecer cabalmente todas as dúvidas relativas à sua empresa familiar, cujos resultados caíram depois de a ter passado para a gestão dos filhos, reage tarde a problemas graves que vão surgindo, como o apagão, a tempestade, os incêndios, os problemas na Saúde, na Justiça e este caos nos exames, preferindo passar férias no Brasil, ir a espetáculos e jogos de futebol da Seleção Nacional, a quem enalteceu o seu elevado valor, comparou com o País e vaticinou a conquista do Mundial. Viu-se… parece só ter acertado com a comparação com o País. E, por isso, não é de admirar que agora aposte tudo no sucesso de Jesus à frente da Seleção Nacional…
Até para a semana!
LG, 14/07/2026

