VINHO DE TALHA PASSA A PODER SER CERTIFICADO EM TODA A REGIÃO DO ALENTEJO

Escrito por em 18/08/2026

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) aprovou novas regras para a valorização do património vitivinícola da região, entre as quais se destaca o alargamento da certificação do Vinho de Talha a todo o Alentejo.

A decisão, aprovada por unanimidade pelo Conselho Geral da CVRA, permite que os produtores de Vinho de Talha de qualquer uma das sub-regiões vitivinícolas do Alentejo possam, desde que cumpram os critérios definidos, obter a certificação desta tipologia.

A medida assume particular importância para a Vidigueira, território com uma forte tradição na produção de Vinho de Talha e onde este método ancestral continua a fazer parte da identidade vitivinícola local.

O Vinho de Talha é produzido através da utilização de grandes recipientes de barro (Talhas) e mantém-se no Alentejo há mais de dois mil anos, constituindo uma das mais antigas expressões da tradição vitivinícola regional.

Segundo a CVRA, o novo enquadramento resulta de um trabalho desenvolvido com os seus grupos técnicos e com a participação de enólogos, especialistas em Vinho de Talha, historiadores e outros profissionais do setor. O objetivo foi definir critérios rigorosos associados ao método de produção e estabelecer as condições para a certificação em toda a região.

Vinhas Velhas e Vinhas Centenárias também passam a ter reconhecimento específico

As novas regras introduzem igualmente as denominações “Vinhas Velhas” e “Vinhas Centenárias”, destinadas a valorizar vinhos provenientes de parcelas de vinha com características associadas à sua idade.

A designação “Vinhas Velhas” aplica-se a vinhas com pelo menos 35 anos, enquanto a denominação “Vinhas Centenárias” é atribuída a vinhas com registo anterior a 1931.

A CVRA considera que esta medida contribui para preservar e valorizar um património vitivinícola que atravessa gerações, reconhecendo o papel das vinhas mais antigas na identidade dos Vinhos do Alentejo.

Estratégia para vinhos de maior valor acrescentado

As alterações fazem parte do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, que pretende aumentar o valor gerado pela fileira vitivinícola e reforçar a posição dos vinhos alentejanos nos mercados nacional e internacional.

A valorização de vinhas antigas e do Vinho de Talha integra uma estratégia de premiumização, tendo em conta que estas produções estão frequentemente associadas a menores rendimentos, processos mais exigentes e custos de produção superiores.

Para o presidente da CVRA, Luís Sequeira, o reconhecimento das vinhas mais antigas e a definição rigorosa do método de produção do Vinho de Talha permitem simultaneamente preservar o património e criar condições para o desenvolvimento de vinhos de maior valor acrescentado.

Com estas novas regras, a CVRA pretende reforçar a diferenciação dos Vinhos do Alentejo e valorizar elementos que fazem parte da história e da identidade da região — entre eles, uma tradição que continua particularmente presente no Concelho de Vidigueira.


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