Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 21/04/2026

Marco Abundância 21/04/2026

A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.

25 de Abril é o dia mais celebrado pelo povo português

Esta semana assinala-se o 52º aniversário do 25 de Abril. Mais de meio século depois, continua a ser o dia mais celebrado pelo povo português. Nenhum outro dia mobiliza tanta gente para tantas iniciativas que se realizam por todo o país, em ambiente festivo e de agradecimento aos que, há 52 anos, devolveram a liberdade a Portugal.

A ditadura fascista, que dominou o País nos 48 anos anteriores, privou os portugueses dos mais elementares direitos, garantias e liberdades, manteve na miséria uma parte significativa, enquanto os que beneficiavam da simpatia do poder reinante tudo podiam podiam fazer para enriquecer, isolou o País da comunidade internacional, acentuado com a guerra nas ex-colónias.

Por mais que os saudosistas desse tempo tenebroso tudo tentem fazer para denegrir a Revolução dos Cravos, o povo mantém bem viva a memória do que ela representou e, por isso, persiste em celebrar a data a que atribui mais significado.

O MFA – Movimento da Forças Armadas, que fez o 25 de Abril, teve origem numa contestação dos capitães do quadro permanente relativamente a algumas medidas que entendiam que os penalizavam, designadamente a possibilidade dos oficiais milicianos acederem ao quadro permanente sem terem feito a Academia Militar.

À medida que foram reunindo em torno dessa contestação, acabaram por concluir que havia muito mais a contestar, designadamente o prolongamento da guerra colonial,  sem fim à vista, onde alguns acumulavam sucessivas comissões, e o que acabou por determinar o golpe de estado, que foi a necessidade e urgência de acabar com a ditadura e devolver a liberdade ao povo português.

E, por isso, o movimento, que começou por separar os oficiais do quadro permanente dos milicianos, acabou por juntá-los por esse objetivo muito mais amplo e agregador. E, por isso também, acabou por envolver os três ramos das Forças Armadas, incluindo oficiais superiores, e contar com o apoio de alguns civis.

Derrubado o regime fascista e afastados os seus dirigentes, incluindo o Presidente da República, Américo Tomás, e o Chefe do Governo, Marcelo Caetano, o MFA apresentou um Programa, em que se responsabilizou pela entrega do poder aos representantes do Povo, através da realização de eleições para as Assembleias Constituinte e da República e para as Autarquias Locais, o que cumpriu.

Esse Programa do MFA definiu igualmente o que devia ser o rumo do País e que assentava em três dês: da Descolonização, da Democracia e do Desenvolvimento. E, pese embora, a forma e a medida em que foram realizados, ninguém, de boa fé, pode dizer que os três grandes objetivos do Programa do MFA não foram concretizados.

Isso não quer dizer que tudo correu bem ou que todos os portugueses alcançaram tudo a que têm direito. Mas, mesmo levando em linha de conta as diferenças no mundo antes e depois do 25 de Abril, Portugal está substancialmente melhor do que dantes. Acabou a guerra, vivemos em liberdade e em democracia, apesar de algumas tentativas de as limitar, a país desenvolveu-se, com saneamento básico, saúde e educação para (quase) todos, importantes infraestruturas, crescimento económico. Tudo isto precisa de ser melhorado mas existe.

O que ainda não alcançámos, e por vezes recuamos, é na igualdade de oportunidades, com desigualdades significativas entre os que concentram quase toda a riqueza e os que nada ou pouco conseguem aceder a essa riqueza, com a agravante de entre estes muitos serem trabalhadores, os que a produzem. A pobreza continua a ser um flagelo que continua a persistir, atingindo quase um  em cada cinco portugueses, com maior impacto nos idosos, nas crianças e nas mulheres.

Este é sem dúvida o maior desafio que o país continua a enfrentar. Enquanto persistirem as desumanas desigualdades e a pobreza, o 25 de Abril continua por cumprir. E a responsabilidade disso é das imperfeições da democracia, assente numa alternância de dois partidos – PS e PSD , que não têm sido capazes ou não têm querido combatê-las de forma eficaz. Isso não quer dizer que seja o regime que deve ser mudado, mas que deve ser aperfeiçoado.

E é por isso que o 25 de Abril continua a ser o dia mais celebrado, em festa pelas conquistas alcançadas e em luta pelo que ainda falta alcançar.

Até para a semana!                                                                                 LG, 21/04/2026

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