Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 19/05/2026
Marco Abundância 19/05/2026
A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.
Luís Montenegro chefia o governo há mais de dois anos
Quem ande mais distraído e oiça o primeiro ministro e alguns ministros é capaz de acreditar que só agora chegaram ao governo. Mas, Luís Montenegro está como primeiro-ministro desde dois de abril de 2024. Não há uma semana, nem há um mês, nem sequer há um ano. Há mais de dois anos.
O PSD e a sua bengala no governo, o CDS, e diversos membros do governo continuam a responsabilizar os anteriores governos de tudo o que está mal e a prometer resolver tudo, como se não estivessem no governo há mais de dois anos.
Houve um primeiro-ministro, salvo erro Cavaco Silva, que, perante a insistência dos seus ministros em responsabilizarem o governo anterior por tudo o que estava mal, os avisou para, passados seis meses, deixarem de atirar culpas para os outros e começarem a trabalhar e a resolver os problemas do país e dos portugueses.
Como Luís Montenegro tanto gosta de se inspirar e seguir o seu ídolo Cavaco Silva, talvez o devesse seguir nesse aspecto e fazer o mesmo aviso à navegação, porque a ladaínha de que as coisas estão mal por culpa do governo que já deixou de o ser há mais de dois anos cada vez pega menos.
Até alguns apoiantes dos governos da AD começam a mostrar-se incomodados e a manifestar publicamente o seu descontentamento com a incapacidade do governo de satisfazer as promessas que fez, de resolver os problemas e de fazer reformas.
E não são apenas apoiantes anónimos, os que ouvimos nos nossos círculos de convívio, a fazê-lo. São também os chamados notáveis do partido, com destaque para outro ex-primeiro-ministro, Passos Coelho, de que Luís Montenegro foi um fiel apoiante, como líder parlamentar do PSD, e de que sempre se confessou seguidor até começar a ouvir as suas, cada vez mais insistentes e sonoras, críticas ao seu governo.
Luís Montenegro e o seu governo usa como estratégia a fuga para à frente. Perante um problema que não resolve e as críticas que não param, avança com um plano ou um programa ou um pacote, quase sempre feitos à pressa e em cima do joelho, mas embrulhados em bonitas linguagens e denominações.
Às vezes, até consegue fazer pior, talvez para tentar desviar a atenção dos reais problemas, e saca de uma reforma que não propôs fazer, ninguém pediu e de que ninguém sente necessidade, e leva meses e meses em dezenas de reuniões a fingir que pretende resolver os problemas da competitividade através da consertação social.
Já vão em mais de duas dezenas de anúncios! No terreno nem vê-los. Continua “tudo como dantes no quartel de Abrantes”, ou seja, tudo continua na mesma, quando não pior, sem alterações, reformas ou melhorias, apesar das promessas de mudança.
Assim, não é de estranhar que, à pergunta “o que melhorou com este governo”, tanta gente tenha dificuldade em responder. A incapacidade do governo de resolver problemas e o agravamento de alguns é cada vez mais evidente. E as panaceias usadas para encobrir essa incapacidade convencem cada vez menos.
Na tentativa de se manter no governo, Luís Montenegro insiste numa política de ziguezague, procurando convergências ora com o PS ora com o Chega, cada vez mais com este, fazendo esquecer o “não é não”.
Esta, cada vez maior, dependência do Chega para conseguir aprovar más políticas e medidas, é um exercício perigoso, que pode ter graves consequências no futuro do país e dos portugueses, que é o que mais importa, mas também no futuro do PSD.
Os que votaram no PSD e apoiaram esta solução de governo minoritário, perante as insatisfações com as opções políticas e de governação de Luís Montenegro, poderão abandoná-lo e ao partido. Optando uns pelo Chega, como já muitos fizeram, outros pela Iniciativa Liberal, como alternativa ao maior populismo do Chega, e outros ainda pelo PS, por se manterem sociais-democratas e não se reverem na extrema-direita, populista e revanchista, reduzinso significativamente o PSD.
Alguns apressar-se-ão a dizer que esta minha leitura política não passa de uma mera especulação. Vamos ver o que o tempo nos vai mostrar sobre a evolução política no futuro próximo.
Até para a semana!
LG, 19/05/2026
