Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 05/05/2026
Marco Abundância 05/05/2026
A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.
Não há político que recuse o palco da OVIBEJA
Todos os anos, os líderes políticos, desde os líderes partidários ao primeiro-ministro e ao Presidente da República, deslocam-se a Beja para visitar a OVIBEJA, mostrar-se e contactar com as pessoas, participar em colóquios e outras iniciativas, em que têm oportunidade de apresentar e defender o que propõem, designadamente para a agricultura e para a região.
Acontece todos os anos mas com maior incidência quando se realizam eleições. Nos outros, alguns faltam à chamada, deixando para segundas figuras a sua representação. Não foi isso que aconteceu este ano. Apesar de não estar prevista a realização de quaisquer eleições, todos cumpriram esse ritual, para mostrar que não ignoram nem esquecem o Interior e o Alentejo e Beja, em particular.
Todos, ou quase todos, os líderes partidários visitaram a Grande Feira do Sul, para contactarem com “todo o Alentejo deste mundo”, distribuindo sorrisos e palavras simpáticas de ocasião, sem esquecer as críticas ao governo. Alguns fizeram-no, nessa condição, pela primeira vez. Foram os casos dos novos líderes do PS, José Luís Carneiro, e da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão.
O novo Presidente da República, até por estar há pouco tempo em funções, marcou presença e marcou o seu território, realçando problemas com que o País e o Interior, em particular, se debatem e alertando para perigos que pairam sobre o nosso futuro coletivo e a necessidade do Estado se prevenir, de forma a ser capaz de enfrentá-los.
A novidade registou-se com a presença em do governo, que reuniu, pela primeira vez, o Conselho de Ministros na OVIBEJA. O primeiro-ministro visitou a Grande Feira do Sul, depois dos ministros da Agricultura e do Ambiente terem estado presentes na sua abertura. Outros membros do governo participaram em colóquios e outras iniciativas.
A ministra do Ambiente e Energia foi a que mais esteve presente, desde a abertura, à reunião do Conselho de Ministros, no acompanhamento da visita do Presidente da República, na entrega dos prémios aos vencedores do Concurso Internacional de Azeite Virgem Extra – Prémio CA Ovibeja, entre outras aparições. Tal aconteceu, certamente, porque Maria da Graça Carvalho é natural de Beja, onde mantém fortes ligações e, também, porque gosta muito da sua Cidade e da Ovibeja.
Apoiantes deste governo não perderam tempo em frisar as diferenças dele para os que o antecederam, designadamente os de António Costa, a quem acusam de não gostar de Beja nem do anterior presidente da Câmara, Paulo Arsénio, e por isso raramente cá ter posto os pés e, pior do que isso, pouco ou quase nada ter feito pela região.
E avançaram logo, esperemos que não prematuramente, com elogios à aposta que este governo estará a fazer no Interior e no Alentejo e em Beja, em particular, e que agora é que vai ser. Agora é que vamos ter autoestrada, não só a ligar-nos a Lisboa mas também a Évora e a Portalegre, embora pareça que ainda não será desta que vamos ter ligação até Espanha. Agora é que vamos ter a linha de caminho de ferro remodelada e eletrificada e com comboios novos, embora não se perceba bem se com ligação direta a Lisboa e com ramal até ao Aeroporto. E, a par destes, muitos outros investimentos irão ser feitos na região, segundo o governo e os seus apaniguados.
Espero que não estejam a ser demasiados temporões nas suas expetativas, porque alguns dos investimentos anunciados só estarão concluídos e capazes de serem usados lá para dois mil e trinta e não sei quantos. E só estamos ainda em dois mil e vinte e seis, ou seja, ainda vamos ter de continuar a esperar muito.
Reagirão logo a estas minhas palavras, os apaniguados mais acérrimos deste governo, dizendo que quem esperou tanto tempo bem pode esperar mais alguns anitos, e que os que apontam a lentidão na concretização das promessas não foram igualmente exigentes com os anteriores governos. Nada mais falacioso. Muitos dos que agora exigem que sejam cumpridas e quanto antes as reivindicações da região ao Poder Central são os mesmos que sempre o fizeram. As exceções são os que, de forma facciosa, apoiam ou criticam o governo conforme ele é da sua cor política ou não.
Não seria mais correto e, porventura, mais proveitoso que todos nos uníssemos para exigir do governo o que temos direito, seja ele de que cor política seja. Ou as nossas necessidades fazem-se sentir apenas quando o governo não é da nossa simpatia?…
Até para a semana! LG, 05/05/2026
