Outeiro do Circo com campanha arqueológica concluída
Escrito por MarcoAbundancia em 16/09/2026
Está concluída a 1ª campanha do novo projeto arqueológico no Outeiro do Circo, em Beja.
As escavações arqueológicas no povoado fortificado da Idade do Bronze do Outeiro do Circo (Beja) foram retomadas após um interregno de 5 anos, através de um novo projeto de investigação, cuja primeira campanha de trabalhos foi concluída no dia 11 de Setembro, avançou a Câmara de Beja.
Segundo revelou a autarquia bejense, os trabalhos “incidiram no alargamento de uma área de escavação anterior, com o objetivo de clarificar diversos aspetos relacionados com a construção da muralha e a sua articulação com outras estruturas localizadas no interior do povoado”.
Nas novas áreas intervencionadas apenas foi possível remover as terras resultantes das utilizações agrícolas mais recentes do sítio e iniciar a escavação dos níveis relacionados com o abandono do sítio, no final da Idade do Bronze, há cerca de 3000 anos.
Entre os artefactos recolhidos, destaca-se a grande quantidade de cerâmica, com alguns artefactos inéditos, como um polidor em cerâmica, cuja função concreta ainda terá de ser analisada, e elementos em pedra relacionados com a agricultura, designados como elementos de foice, que são relativamente frequentes no Outeiro do Circo.
Segundo a Câmara de Beja, “o retomar do projeto permitiu também o reforço das ações de divulgação, com visitas regulares aos trabalhos arqueológicos, a realização de conferências informais dirigidas à população local e aos participantes no projeto e o desenvolvimento de diversas ações de colaboração”.
Destaca-se ainda a organização de uma conferência em parceria com o Museu Rainha Dona Leonor, que trouxe até Beja um dos grandes especialistas mundiais na Idade do Bronze, o Professor Johan Ling, da Universidade de Gotemburgo, para debater as ligações entre a Península Ibérica e a Escandinávia nesta época.
O Projeto Outeiro do Circo é coordenado pelo Professor Nelson J. Almeida, da Universidade de Évora, contando com o financiamento da Câmara Municipal de Beja e o apoio do Museu Rainha Dona Leonor, sendo desenvolvido pela cooperativa O Legado da Terra.
