Crónica de opinião – Lopes Guerreiro – 20/01/2026
Marco Abundância 20/01/2026
A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.
Suave, suavemente, Seguro venceu a primeira volta das eleições presidenciais
As eleições para a Presidência da República, realizadas no Domingo, foram ganhas por António José Seguro, um vencedor esperado, com uma votação bastante superior à prevista em todas as sondagens.
E tiveram um grande derrotado, Marques Mendes, como as últimas semanas deixaram antever, embora com uma votação inferior à prevista nas piores sondagens.
André Ventura correspondeu às expectativas, subindo ligeiramente em percentagem em relação à melhor votação do Chega, mas um pouco aquém em número de votos. Foi o candidato em cuja votação as sondagens mais acertaram.
Cotrim de Figueiredo triplicou a melhor votação do seu partido, a Iniciativa Liberal, embora a sua votação tenha ficado muito aquém das previsões das sondagens.
Gouveia e Melo alcançou 12,32 % e quase 700 mil (695.088) votos, o que, embora tenha ficado muito abaixo do que as sondagens lhe chegaram a dar, foi uma votação notável, tendo em conta que foi o único candidato sem apoios partidários declarados.
Os restantes candidatos, quer os apoiados pelos respectivos partidos quer os outros, cumpriram os seus papéis de marcar presença e de passar as suas mensagens, embora com votações residuais.
Gouveia e Melo, o campeão das sondagens até aparecerem as outras candidaturas, teve dificuldades em definir o seu posicionamento, começando a admitir o apoio do Chega, para depois se definir como social-democrata e do verdadeiro centro, e, no final, ao acusar Marques Mendes de ser um facilitador de negócios e interesses, se tenha colocado mais à esquerda. Manifestou disponibilidade para a criação de um movimento com os apoiantes da sua candidatura, embora não explicando para quê.
Cotrim de Figueiredo, que fez uma campanha que seduziu boa parte do eleitorado, designadamente da AD, nos meios urbanos e jovens, terá acabado por ser vítima de erros próprios, ao admitir que poderia votar em André Ventura, se não fosse à segunda volta, acabando por dizer que não sabia porque disse uma coisa daquelas. E poderá ter sido também penalizado por ter sido divulgada a notícia de uma das suas colaboradoras se queixar de assédio sexual por parte dele. No seu discurso, parece ter desafiado a Iniciativa Liberal a aproveitar a dinâmica e a votação da sua candidatura.
Luís Marques Mendes, que contou como apoio dos partidos do governo, tendo alguns ministros, incluindo o primeiro-ministro, participado na sua campanha, teve a pior votação daqueles partidos ou dos candidatos presidenciais por eles apoiados. A derrota de Marques Mendes não foi só sua, mas também dos que o apoiaram – o PSD, o CDS, o governo e, especialmente, Luís Montenegro. Vamos ver se este aprendeu alguma coisa com a lição e percebe que não manda nisto tudo.
André Ventura fixou o eleitorado do Chega, tendo, com a derrota de Marques Mendes e da AD e ao ser o candidato da direita a passar à segunda volta, consolidado o seu desejo de poder vir a ser o líder da direita. Mais do que pretender ser Presidente da República, Ventura quer liderar a direita, governar Portugal e alterar a Constituição e o regime democrático.
Seguro, com pezinhos de lã, fez o caminho que o conduziu à vitória destacada na primeira volta. Venceu as resistências e dúvidas no PS. Afirmou a sua sua candidatura como supra partidária, para unir, pela positiva e para resolver os problemas do País e dos portugueses. Assumiu a postura institucional, interventivo mas respeitador da Constituição e da separação de poderes, que deve ter o Presidente da República.
E agora vamos à segunda volta, com mais três semanas de campanha eleitoral.
Ventura irá insistir em se apresentar com um discurso mais moderado e democrático, na tentativa de conquistar os eleitores mais moderados da direita, que votaram em Cotrim de Figueiredo, Marques Mendes ou mesmo em Gouveia e Melo.
Seguro irá prosseguir a sua campanha no mesmo registo, contando à partida com os votantes à sua esquerda e tentando conquistar os votos obtidos por Gouveia e Melo, Marques Mendes e Cotrim de Figueiredo, o que deve conseguir, por esta ordem.
Apesar destes não terem apelado ao voto em nenhum dos candidatos, não se afigura tarefa fácil para Ventura unir toda a direita, uma vez que todos os estudos de opinião apontam 70% de rejeição à sua pessoa. Assim será de admitir a a eleição de António José Seguro como mais provável, uma vez que parte com mais 13 pontos percentuais, considerando a sua votação e as dos candidatos à sua esquerda, para além de ser mais provável a conquista dos votantes em Gouveia e Melo e Marques Mendes para a sua candidatura e, ainda, a não votação em nenhum dos candidatos dos que, rejeitando o voto em Seguro, não querem ter André Ventura na Presidência da República.
Até para a semana!
LG, 20/01/2026
