Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 03/03/2026
Marco Abundância 03/03/2026
A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.
América grande outra vez à custa de quê e de quantos?
Sempre a falar da paz e com justificações diferentes, Donald Trump encara o uso da força como um elemento central da sua presidência. Irão, Venezuela, Nigéria, Síria, Iémen e Somália foram os seus principais alvos, já tendo sido atacados pelos EUA desde o início do seu mandato.
Este sábado, desencadeou um novo ataque contra o Irão, em conjunto com Israel, que funcionou como “lebre”, atirando as primeiras bombas tendo como alvos os principais líderes, na tentativa de decapitar o poder naquele país.
Não foi surpresa, porque não se tratou de um ato isolado neste seu segundo mandato, tendo já atacado e ameaçado outros países, e porque se trata de uma vontade repetidamente anunciada de Donald Trump, que quer, a qualquer custo, operar uma “mudança de regime” iraniano, para além e por outros interesses menos confessados, como a próxima realização de eleições nos seus países, de cujos resultados receiam.
Desta vez, o Irão reagiu com força, como prometera, contra diversos alvos em Israel e bases militares dos EUA localizadas em países vizinhos. Se, por um lado, os EUA e Israel conseguiram abater o líder supremo do Irão e algumas outras figuras importantes do poder naquele país, também o poderio militar iraniano conseguiu destruir algumas posições daqueles países e provocar mortos e feridos. E está rapidamente a recompor o topo da pirâmide do seu poder.
Desta vez o ataque ao Irão não se pareceu em nada com um passeio ou uma “pesca à linha” do seu líder, tal como o registado na Venezuela. O poder, a capacidade de resposta e a influência do Irão são bem maiores, capazes de provocar ondas de choque em todo o mundo, não só a nível diplomático mas também a nível económico, e, pior de tudo, no alastramento do conflito armado a outros países e atentados em muitos outros com comunidades muçulmanas mais radicalizadas.
O ego maior do que o mundo de Trump, que o transforma no grande chefe louro e louco perigoso, aliado de outro bem mais perigoso, por ser mais racional, Netanyahu, que desempenha o duplo papel de seu homem de mão e manda-chuva, dando a imagem de que quando “um diz mata o outro diz esfola”.
Como já aqui tendo dito e repetido, o mundo está a ficar um lugar perigoso para se viver. Não por não ter condições e capacidade para nos albergar a todos e permitir-nos ter uma boa vida, mas porque há alguns cuja ambição desmesurada e sede de poder não deixam, não olhando a meios nem a consequências para o tentar alcançar.
Temos assistido nos últimos anos a, cada vez mais frequentes, catástrofes e outros acidentes provocados pela Natureza. Não apenas por sua culpa mas também porque aqueles a têm atacado, tal como fazem à esmagadora maioria das pessoas.
As catástrofes e outros acidentes da Natureza e as guerras e outros conflitos armados têm a mesma origem comum a ambição desmesurada e sede de poder de alguns que querem ser os donos disto tudo. E o pior de tudo é que continuam a ter seguidores, por mais crimes contra a humanidade que pratiquem, que tudo parece que lhes desculpam e justificam.
Quando se normaliza a caça e o assassínio de líderes e outros governantes de países por parte da Administração norte-americana, porque Donald Trump não gosta e quer a “mudança de regime” nesses países, abrem-se precedentes e entra-se num caminho perigoso, que sabemos onde e como começou mas não sabemos como vai acabar.
Todos os povos devem ter o direito de escolher os regimes que querem para ser governados. Mas devem ser eles a encontrar os caminhos para lá chegar. Os regimes não devem ser impostos de fora, por outros países, por melhores que sejam os seus objetivos e raramente, para não dizer nunca, o são. Há bastantes exemplos que o comprovam, alguns bem recentes, com os resultados ainda bem à vista de todos.
Seria bom – e todos se deviam empenhar nisso -, que se apostasse tudo e se empenhassem todos na via diplomática para resolver conflitos, em vez de optarem pela guerra e outros conflitos armados que tanta destruição provocam nas vidas das pessoas e dos povos, nas comunidades e nas sociedades, na economia e no ambiente. O que está em jogo exige maior sentido de estado e mais responsabilidade dos líderes políticos, porque o que está em causa não é apenas as suas vidas mas as de todos.
Até para a semana! LG, 03/03/2026
