Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 01/04/2025

Marco Abundância 01/04/2025

A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.

O efeito ricochete em política

Em política, como aliás noutras áreas da vida em sociedade, há muito a tendência para o confronto entre nós e eles. Esta tendência tem vindo a acentuar-se com a avaliação que fazemos dos outros e dos acontecimentos, cada vez mais, baseada em perceções, o que a par das redes sociais, cada vez mais presentes nas nossas vidas e que tudo escrutinam, quase sempre, com base nas tais percepções, a um ritmo e com uma volatilidade estonteantes, põem tudo e todos em causa.

Foi nesta onda, que os actuais líderes do PSD, designadamente Luís Montenegro e Hugo Soares, fizeram a vida negra a Rui Rio, o anterior líder do partido, por não ser suficientemente crítico do governo do PS e de estar disponível para assumir alguns compromissos e apoios a algumas políticas do governo de António Costa. E se assim agiram face à liderança do seu próprio partido mais o fizeram ainda com António Costa e Pedro Nuno Santos.

A António Costa nunca lhe perdoaram que, com o suporte parlamentar dos partidos à esquerda do PS, tenha chumbado um governo de maioria relativa chefiado pelo seu líder de estimação Passos Coelho e formado um governo que reverteu muitas das suas políticas mais penalizadoras dos portugueses e do país em geral.

A Pedro Nuno Santos sempre o tiveram na mira por ser conotado com a ala esquerda do PS, por ter sido quem operacionalizou e assegurou uma maioria parlamentar à esquerda, que viabilizou um governo do PS, que pôs fim à exclusão daqueles partidos da área da governação, com estabilidade política durante um mandato completo.

Mas, ainda mesmo antes da queda do último governo de António Costa já a pontaria a Pedro Nuno Santos se iniciara. Quando foi ministro das Infraestruturas e tomou decisões contrárias aos interesses defendidos pela direita tornou-se o alvo principal desta, também por ser o putativo sucessor de António Costa, o que veio a acontecer.

Um vez derrubado o governo do PS – que podia ter formado outro governo com outro primeiro-ministro, na sequência da demissão de António Costa, porque tinha maioria absoluta, se esse tivesse sido o entendimento de Marcelo Rebelo de Sousa -, e com Pedro Nuno Santos a ser eleito secretário-geral do PS tornou-se de imediato claro que  iríamos assistir a uma luta de galos fratricida entre este e Luís Montenegro, que só terminará com o afastamento de um deles da cena política activa.

E é a esse espectáculo político-mediático que estamos a assistir, com a intervenção activa de André Ventura, que, não perdoando o “não é não” de Luís Montenegro, tudo tem feito para lhe fazer a vida negra e o afastar da cena política quanto antes.

Se é verdade que António Costa se pôs a jeito da sua demissão do governo, por não ter sabido lidar com a maioria absoluta que lhe caiu nas mãos sem saber como, tal como fez Pedro Nuno Santos, que a sua ânsia de poder e de excesso de voluntarismo levou a praticar actos reveladores de uma certa irresponsabilidade e lesivos do país, não é menos verdade que Luís Montenegro e os seu mais próximos não só não lhes ficam atrás como conseguiram ir muito mais longe nos “rabos de palha” que não foi preciso muito tempo para serem expostos.

E é assim que, num efeito de ricochete político, a percepção que passámos a ter de Luís Montenegro, do seu braço direito Hugo Soares e de outros bem próximos de si é a de que se têm vindo a amanhar, através de relações promiscuas entre a política e empresas, desde que assumiram o poder, primeiro no PSD e depois no governo.

Quase todos os dias surgem notícias de casos e casinhos a envolvê-los, em que o modus operandis é o mesmo. Depois do afastamento de Passos Coelho e de não lhe terem conseguido suceder, devido às vitórias de Rui Rio, no PSD, passaram a exercer advocacia, tendo como clientes, em grande parte, autarquias de maioria PSD e empresas lideradas por pessoas afectas ao partido ou beneficiárias de apoios governamentais. Quando ganharam o poder no PSD criaram empresas familiares, que passaram a prestar os serviços que antes prestavam nos escritórios de advogados e, ao chegarem ao poder na República, passaram as empresas para os familiares, mantendo avenças que tinham com algumas delas.

E a ética, a seriedade e os valores que se fartaram de apontar que António Costa e Pedro Nuno Santos, entre outros, não tinham, a vida e o efeito de ricochete político não tardaram em mostrar que também lhes escasseavam.

André Ventura e o Chega só não se riem mais e, provavelmente, não irão beneficiar tanto quanto pretendiam da situação porque o efeito ricochete político também atingiu o Chega – e de que maneira! -, tal é a diversidade e a gravidade dos casos de existem suspeitas de terem sido praticados por dirigentes e deputados seus.

Nada disto prestigia a política e os políticos, apesar de muitos não terem este tipo de práticas, nem contribui para valorizar a democracia. Mas tudo indica

que a situação tenderá a piorar em resultado do baixo nível do debate político-partidário neste período eleitoral, marcado pela demissão do governo face às suspeitas de falta de ética e, eventuais, incompatibilidades do exercício das funções de primeiro-ministro com as da vida profissional e empresarial de Luís Montenegro.

Até para a semana!

LG, 01/04/2025

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