Gonçalo Valente acusa CCDR Alentejo de retirar 60 milhões à ferrovia Casa Branca-Beja

Escrito por em 20/02/2026

O deputado do PSD eleito pelo distrito de Beja, Gonçalo Valente acusou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo de ter retirado “de forma unilateral” 60 milhões de euros ao projeto de eletrificação da linha ferroviária Casa Branca–Beja.

Em comunicado enviado às redações, Gonçalo Valente afirma que a decisão de reprogramação do Programa Regional Alentejo 2030 partiu da CCDR e não do Governo, rejeitando as críticas do PS, que responsabilizou o executivo pela retirada da verba.

Na Assembleia da República foram ouvidas esta semana as entidades envolvidas no processo, incluindo o presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, e a empresa Infraestruturas de Portugal (IP).

Segundo o parlamentar do PSD, o presidente da CCDR justificou a reprogramação com a alegada “falta de maturidade” do projeto, argumento que, afirma, não foi acompanhado de dados técnicos que o sustentassem.

Já a IP, acrescenta, terá confirmado que a comparticipação de 80 milhões de euros  prevista poderia ser aplicada no primeiro troço da intervenção, entre Casa Branca e Vila Nova da Baronia, respeitando os prazos do atual ciclo de programação comunitária, que termina em 2027, com possibilidade de prorrogação.

No entendimento de Gonçalo Valente, a reafetação de verbas resultou de uma opção política no âmbito da necessidade de canalizar 10% da dotação global do programa regional para novas prioridades definidas pela Comissão Europeia, designadamente nas áreas da habitação, da água resiliente e da defesa.

“O dinheiro tinha de vir de algum lado e veio da ferrovia”, afirma, defendendo que poderiam ter sido escolhidos outros objetivos estratégicos para acomodar essa percentagem.

O deputado considera que a decisão da CCDR traduziu uma desistência do projeto de eletrificação da linha Casa Branca–Beja, reivindicado há décadas na região, e que a opção “penalizou bastante o Baixo Alentejo”.

Gonçalo Valente refere, contudo, que o Governo já assumiu que garantirá os 60 milhões de euros em falta para assegurar a execução da eletrificação e modernização da ferrovia, compromisso que, segundo o próprio, foi confirmado pelo presidente da CCDR na audição parlamentar.

O parlamentar refere ainda  que a CCDR, o Partido Socialista e a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) deveriam apresentar um pedido de desculpas aos habitantes da região pela polémica em torno do financiamento do projeto.

As explicações foram deixadas aos microfones da Rádio Vidigueira por Gonçalo Valente, o deputado eleito pelo distrito de Beja pelo PSD.


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