Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 18/03/2025

Marco Abundância 18/03/2025

A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.

E agora, o que vai mudar com as eleições legislativas antecipadas?

Luís Montenegro, na sequência das suspeitas levantadas em relação a eventuais conflitos de interesse da sua empresa com as funções de primeiro-ministro, arrastou o governo para a apresentação de uma moção de confiança, que foi chumbada pelos partidos da oposição, como tinham já anunciado, com excepção da Iniciativa Liberal, que votou a favor, com os partidos que suportam o governo (PSD e CDS).

O que terá levado o governo a, mesmo assim, ter apresentado a moção de confiança e tudo ter feito para conseguir que o PS a viabilizasse, ao ponto de ter tentado negociar a sua retirada a troco da definição de condições a que devia obedecer a Comissão Parlamentar de Inquérito, é matéria que ainda irá dar muito que falar. 

Mas não é disso que agora quero falar. É das terceiras eleições antecipadas que, desta vez, Marcelo Rebelo de Sousa marcou para o dia 18 de Maio.

O Presidente da República pediu uma campanha que não assente em confrontos, porque seria “um desperdício imperdoável não discutir aquilo que tanto preocupa o dia a dia dos portugueses” – desde a economia à saúde, passando pela educação e pela habitação -, e apelou, por isso, a um debate “sereno, digno, tolerante e respeitador da diferença” e “que não enfraqueça a democracia e não abra ainda mais a porta a experiências que se sabe como começam e se sabe como acabam.”

Apesar daqueles apelos, dificilmente o “choque” – não “legal” ou “político, mas “de juízo ético e moral” – entre o Governo e aqueles que a ele se opõem no Parlamento, de que falou, não se irá acentuar até às eleições. Basta ouvir ou ler alguns líderes partidários, entre outros, nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, para se perceber que não deixarão de atirar mais lama para a ventoinha no debate político.

Esperemos que, para além das acusações mútuas que irão ser feitas e de expor até ao tutano a vida dos principais protagonistas, designadamente de Luís Montenegro e de Pedro Nuno Santos e dos respectivos partidos, seja possível ainda algum debate sobre os principais problemas com que se debatem Portugal e os portugueses, num mundo cheio de incertezas que ninguém ou muito poucos saberão dizer onde vai desembocar.

Será importante que, para além da igualmente importante dimensão ética e moral dos protagonistas, as diferentes candidaturas apresentem as suas visões do país, da União Europeia e do mundo, do regime político e do sistema económico e social que defendem, do combate à corrupção e aos efeitos nefastos das alterações climáticas, do controlo da utilização da chamada inteligência artificial de forma a ser utilizada em prol do desenvolvimento humano e das sociedades, das políticas de natalidade, migratórias, de coesão territorial, económica e social, entre tantas outras áreas.

Seria importante que das eleições resultasse uma maioria parlamentar, agregando vários partidos, que suportasse um governo que pudesse dar respostas às principais necessidades do país e da maioria dos portugueses. Que não deixasse ninguém para trás, que tratasse todos por igual e a todos assegurasse uma vida digna. Que o país gozasse assim de estabilidade política e que esta não resultasse apenas da força da maioria que possa ser alcançada, que, como temos visto, raramente chega.

Ao que tudo parece, dificilmente sairá destas eleições uma distribuição de forças muito diferente da actual. As principais dúvidas que se colocam são: Vão os eleitores responder à chamada, como fizeram há uma ano, ou voltam a desinteressar-se do voto numas eleições para que não contribuíram? Sairão os dois maiores partidos (PSD e PS) diminuídos, por serem os mais responsabilizados pela situação a que chegámos, ou continuarão a ter cerca de dois terços do Parlamento? O Chega vai ser penalizado pelos casos judiciais com que se debatem alguns dirigentes e deputados ou vai consolidar e reforçar a sua votação e fazer cair o “não é não”? Os partidos à esquerda do PS – PCP, Bloco de Esquerda e Livre -, conseguirão reforçar as suas votações e serem determinantes para uma alternativa de esquerda ou continuarão a ser, quase, irrelevantes para esta solução? A Iniciativa Liberal conseguirá reforçar a sua votação ou limitar-se-á a fixar o eleitorado já alcançado? O PAN conseguirá recuperar o eleitorado perdido e, eventualmente, reforçar a sua votação, ou desaparecerá da Assembleia da República? Conseguirão outros partidos eleger deputados e, caso isso aconteça, que influência irão ter na evolução da situação?

Até para a semana!                                                                                LG, 18/03/2025

 

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