Crónica de Opinião – Lopes Guerreiro – 11/02/2025
Marco Abundância 11/02/2025
A crónica de opinião de Lopes Guerreiro.
Estarão os líderes mundiais à altura dos desafios de Trump?
Na minha primeira crónica deste ano, disse que “uma das principais incógnitas é o que a nova liderança dos Estados Unidos da América vai provocar de diferente nas suas relações com o resto do mundo, a começar pela Europa, e no mundo.”
Não foi preciso esperar muito tempo para se perceber o que poderá acontecer. Donald Trump é e assume-se como um homem de negócios e lidera os Estados Unidos da América como se fossem uma empresa, a sua empresa. E, nessa condição, ele tudo faz para reduzir os custos e aumentar os lucros e o património. Pouco se importando com regras, que altera como acha que melhor podem servir os seus interesses.
O Tribunal Penal Internacional julgou, entre outros, Netanyahu, o Chefe do Governo de Israel como criminoso de guerra, e Trump proíbiu os funcionários e respectivas famílias daquele Tribunal de viverem nos Estados Unidos e expulsa os que lá vivem. Nega os efeitos das alterações climáticas, para assegurar custos de produção mais baixos e maior competitividade e lucros, rasgando novamente o Acordo de Paris.
O uso generalizado de fentanil, 50 vezes mais potente que a heroína, provocou o aumento de mortes relacionadas com drogas nos Estados Unidos, e Trump acusa os países vizinhos de não controlarem os fluxos migratórios e o tráfico daquela droga, que ele associa, e manda construir muros e exige controlo e contenção daqueles fluxos por parte dos governos do Canadá e do México.
Os Estados Unidos gastam muito dinheiro com a NATO e Trump decide que os outros países têm de gastar mais, sob pena de passar a gastar menos. Os Estados Unidos gastam muito dinheiro com a ONU e as suas agências, que nem sempre fazem o que ele quer, e Trump decide cortar nessas despesas e os outros países que encontrem outras fontes de financiamento para as funções humanitárias da ONU.
Trump considera que a Administração dos Estados Unidos gasta demasiado dinheiro, porque é demasiado grande e burocrática, e atribui plenos poderes ao excêntrico multimilionário Elon Musk para fazer as alterações e os cortes que entender, de forma a reduzir significativamente a despesa.
Trump quer integrar o Canadá como mais um estado nos Estados Unidos, porque é rico em matérias-primas. Quer comprar a Gronelândia, porque é igualmente rica em matérias-primas, para além a sua importância geo-estratégica. Quer voltar à posse e ter o controlo do Canal do Panamá, porque considera que o Panamá está a favorecer os interesses da China. Quer as terras ricas em matérias-primas da Ucrânia em troca das armas e dos equipamentos de guerra que aquele país quer para se defender. Quer que Israel expulse da Faixa de Gaza os palestinos para países que os quiserem acolher, limpe os escombros que se encontram cheios de minas, e construa um resort de luxo, que os Estados Unidos da América pagam e ficam proprietários.
Trump considera que o Canadá, a China, países europeus e outros consomem poucos produtos dos Estados Unidos, a quem vendem muitos dos seus produtos, e decide aumentar as tarifas alfandegárias, como forma de reduzir as importações.
Estas foram apenas algumas das primeiras decisões tomadas ou pré-anunciadas por Donald Trump nestas primeiras três semanas do seu segundo reinado. Ele assume-se, para além de empresário, como imperador que quer fazer de novo a América grande. O seu ego, a sua arrogância, a sua falta de humanismo e a sua ambição fazem com que não olhe a meios para tentar alcançar os seus objectivos e apenas estes, porque os Estados Unidos não são mais do que um meio para os tentar alcançar.
Dirão alguns que é estratégia negocial, que como homem de negócios pede muito, para depois, apesar de fazer descontos, conseguir vender caro, e oferece pouco para depois, apesar de subir a parada, comprar barato. Dirão outros que Trump mostra-se forte com os fracos e fraco com os fortes e, que, por isso, depois de entradas de leão tem tido algumas saídas de cordeiro. Seria acomselhável que os líderes de outros países, designadamente, os da União Europeia não se colocassem de cócoras, se assumissem como estadistas, reforçassem a União e fossem capazes de defender os interesses dos seus países e de lidar com Donald Trump em pé de igualdade e não como súbditos de sua majestade. Vamos ver se conseguem estar à altura do desafio.
Até para a semana!
LG, 11/02/2025