Bom Dia Alentejo

Apontado ao sul o olhar tudo abraça num só golpe. O Sol incendeia a cal e esmaga-se na alma das paredes. Os campos deitam-se a seus pés, as azinheiras carregam nas copas o peso do céu. Todo o espaço é pouco para a largura e a paixão do seu cantar. Todos os dias, entre as sete e as nove da manhã, o melhor da música alentejana.

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Bom Dia Alentejo. A magia do Cante Alentejano.

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Tudo no Alentejo é horizontal: as casas, os montes, as aldeias, as vilas, as azinheiras, a terra. Só os homens são altivos e verticais no modo de tratar o sol por tu.

O poeta José Gomes Ferreira disse um dia "nunca vi um alentejano cantar sozinho". (...). 

É em grupo que os alentejanos cantam, ali quando não é noite nem é dia e o tempo respira mais fundo, no final de mais uma jornada de suor e trabalho, que se juntam, e a cantar, contam segredos à planície. Juntam-se para cantar, porque as solidões tendem a procura-se. Não é uma solidão agrupada: é uma adição de solidões individuais.

O cantar nem é uniforme.  Tem altos e baixos. As vozes não soam todas ao mesmo tempo.

Há um ponto, um alto, um baixo.

Sons que se destacam no entoar moda, que é a soma da letra com a musicalidade das vozes.

A moda nasceu nos despiques da taberna, em redor do copo de vinho, na ceifa e na monda. Nasceu ao anoitecer no regresso a casa. Rompeu com os primeiros raios do astro, quando o trabalho se fazia "de sol a sol". 

O cante retrata a solidão e a tristeza. O amor e o trabalho. O sol e a terra. O suor. Canta o trigo e as cegonhas. A emigração e a barragem do Alqueva. Canta a morte e a vida. Angústias e sonhos. Canta o homem perdido em incansáveis longitudes. É terno e quente. Ingénuo e grave. Sóbrio e triste. É ao fim da tarde que o cantar se ergue. Ao anoitecer, na hora subsolar e sublunar, de um tempo que não para o escutar. Ao anoitecer. Quando as sombras envolvem o cante como naves de catedral.

É uma libertação, porque o alentejano não canta com sentido de cantar: o alentejano diz. E diz a cantar…

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