O FESTIVAL TERRAS SEM SOMBRA APRESENTA “AO SABOR DA CORRENTE: A MÚSICA DO SÉCULO XXI”, EM SINES, PELO CLARINET FACTORY

Escrito por no 16/08/2021

O Festival Terras sem Sombra apresenta em Sines, no Centro de Artes (21 de Agosto, 21h30, entrada livre), um concerto pelos mundialmente famosos clarinetistas checos do ensemble Clarinet Factory. Abre-se, assim, uma nova via no posicionamento do Festival face à música erudita do séc. XXI.

Sob o signo do mar, as propostas do festival para a capital do litoral alentejano incluem ainda uma actividade em torno da pesca e do património cultural a ela associado (21 de Agosto,15h) e uma acção de salvaguarda da biodiversidade que incide na riqueza do pescado da região (22 de Agosto, 9h30).

O litoral alentejano é destino de eleição em Agosto e, no fim-de-semana de 21 e 22, palco para as actividades do Festival Terras sem Sombra. Em Sines, o mar vai ser o elemento omnipresente nas acções de património e de salvaguarda da biodiversidade e, também, evocado no título do concerto pelo Clarinet Factory: “Ao Sabor da Corrente: Um Itinerário Musical do Século XXI”.

O quarteto checo de clarinete e voz – formado por Jindřich Pavliš, Luděk Boura, Petr Valášek e Vojtěch Nýdl – move-se nas fronteiras entre a música clássica e a contemporânea, o jazz, a world music, a música electrónica e os projectos interdisciplinares de marcado carácter inovador, num percurso singular que lhe tem granjeado reconhecimento internacional e a presença nas mais importantes salas da Europa. Recipiendário de diversas distinções, o currículo do ensemble inclui ainda a concepção e produção de música para filmes, peças de teatro e dança.

A proposta musical que o Clarinet Factory traz ao Alentejo abrange um repertório que, nas palavras de um dos membros do ensemble, também celebrado solista, Jindřich Pavliš, “narra uma história imaginária em torno da eterna procura que caracteriza o nosso percurso, trazendo a lume um pouco do que vislumbrámos e do que nos tocou, de um modo mais penetrante, ao longo das viagens do ensemble pelas quatro partidas do mundo”.

Nas composições e improvisações do quarteto reflectem-se assim, uma reflexão artística acerca da sua própria experiência que brota do conhecimento de povos, culturas, paisagens, gastronomias e, evidentemente, tradições musicais. Conforme descreve o músico: “Amamos a música popular da Chéquia e da Morávia. Amamos Smetana e Dvořák pela sua paixão, Debussy pelo seu colorido, e Bach pela sua estrutura intemporal. Amamos Stravinsky, Janáček e Messiaen pelas suas experiências com os sons da natureza e da palavra e Gershwin pelo seu encontro com o jazz”. Dessa paixão resulta um encontro original de géneros, estilos e autores que promete cativar e entusiasmar a audiência.

 

Património e salvaguarda da biodiversidade

A anteceder a viagem musical ao sabor da corrente do Clarinet Factory, o Festival Terras sem Sombra lança um olhar ao mar que se espraia sem fim no horizonte de Sines. A acção de património, sob a orientação, entre outros peritos locais, de Ricardo Estevam Pereira (arquitecto) e Francisco Chainho (pescador), traça uma panorâmica da pesca, actividade profundamente enraizada na história da localidade e do seu concelho, tendo como pano de fundo a vida e a faina, os usos e os costumes dos pescadores, com destaque para o património cultural, que lhe está associado. O foco da iniciativa incide no conhecimento das artes e embarcações tradicionais de pesca utilizadas ao longo da costa sineense.

Na manhã de domingo (9h30), o mar volta a estar no centro das atenções. A acção de Salvaguarda da Biodiversidade, orientada por especialistas do Laboratório de Ciências do Mar, da Universidade de Évora, incide sobre os peixes, moluscos e crustáceos extraídos na região de Sines, com vista a conhecer o seu nome vulgar, modo de vida e de reprodução, distribuição e abundância, métodos de captura e interesse comercial. Dirigem esta etapa do Terras sem Sombra os biólogos João Castro, Teresa Cruz, Teresa Silva, Susana Celestino, Cristina Espírito Santo, Paula Coelho e André Costa. São também analisadas questões relativas à exploração e conservação dos recursos pesqueiros e a sobrevivência de espécies ameaçadas pelo incremento da actividade humana ou pelas mudanças climáticas.

Um festival que revela o melhor do Alentejo

O Festival Terras sem Sombra é uma temporada cultural que, em itinerância por diversos concelhos do Alentejo, propõe um programa que abarca a música erudita, o património e a salvaguarda da biodiversidade. As actividades acontecem aos fins-de-semana e são de entrada livre, sujeitas às regras sanitárias em vigor decorrentes da actual situação pandémica.

O próximo destino Terras sem Sombra é Ferreira do Alentejo (4 e 5 de Setembro), onde terá lugar um concerto pelo pianista Laurence Aliganga, que interpretará sonatas de nomes maiores da música mundial, como Scarlatti, Beethoven ou Liszt. A 17.ª temporada do Festival prossegue em Viana do Alentejo (11 e 12 de Setembro) e Odemira (18 e 19 de Setembro).

O Festival Terras sem Sombra é uma estrutura financiada pela Direção-Geral das Artes.


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